Por Ju Menezes

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Às vezes...



Às vezes deixo de acreditar em todo um Universo por conta de apenas um fato isolado; uma mentira que eu descubro; uma decepção que me encontra; uma tristeza profunda qualquer. Nesses momentos, não tenho a frieza de extrair apenas o dente cariado da boca que representa toda Humanidade, e penso que está tudo condenado mesmo. É quando um vazio me invade.
Encontro gente dúbia, aproveitadora, covarde. Gente que passou a vida inteira cultivando uma mágoa inexistente, e despeja o balde inesperadamente. Gente interesseira, fraca, infeliz. Gente que esquece o passado, que não tem memória, que se esconde da própria responsabilidade e insulta a História. Gente que fica atrás da parede jogando pedras sem mostrar o rosto; que se ausenta nas horas difíceis e cobra participação em festas das quais já não faz mais parte.
Eu, em alguns dias, fico me lembrando de pessoas que já admirei de alguma forma, e que hoje, vejo suas máscaras dançando grotescamente sobre seus rostos, produzindo em mim imagens das quais eu tenho nojo. As máscaras estão tortas, e já não cobrem totalmente o rosto, deixando escapar por entre as frestas o cheiro podre e pestilento que sempre esconderam. Algumas máscaras não cabem mais nos rostos gordos e inchados; outras escorregam pelas faces oleosas, fugidias. Outras ainda, desajustadas, permitem que eu sinta o cheiro de mofo que exala de suas almas velhas.
As máscaras caem pelo simples fato de que existem. Cair é condição natural. Acontece e pronto, mais dia menos dia.

“Somos a memória que temos
e a responsabilidade que assumimos.
Sem memória
não existimos,
sem responsabilidade
talvez não mereçamos existir.”

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